
A cirurgia bariátrica independentemente da técnica a ser utilizada é classificada como uma cirurgia de grande porte. É uma cirurgia com risco moderado de complicações em decorrência principalmente devido as condições clínicas que acometem o paciente obeso mórbido. Por causa disso essa preparação pré-operatória do obeso mórbido se faz de forma diferenciada e mais demorada em comparação com outras cirurgias.
O paciente é orientado da importância deste preparo e que a cirurgia pode ter influências de vários fatores que poderão modificar o resultado do procedimento com graus variáveis de complicações.
O conhecimento que adquirido ao longo desses anos sobre a doença da obesidade, o desenvolvimento das técnicas cirúrgicas por parte da equipe cirúrgica, a avaliação criteriosa realizada pela equipe multidisciplinar no pré-operatório e o desenvolvimento de materiais cirúrgicos usados na cirurgia videolaparoscópica, cada vez mais sofisticados, diminuíram bastante as complicações e o índice de mortalidade que hoje encontra-se em torno de 1%.
Durante o pré-operatório o paciente toma conhecimento das complicações que podem acontecer durante a cirurgia ou em qualquer momento durante o pós- operatório.
As principais complicações que podem ocorrer são:
- Deiscência (rompimento) da sutura da gastroenteroanastomose (união entre o novo estômago e o intestino) da enteroenteroanastomose (união entre o intestino e o intestino), ou até na sutura mecânica realizada na gastroplastia vertical (sleeve) que provoca o extravasamento do líquido (alimento) ou conteúdo intestinal para o interior da cavidade peritoneal provocando um quadro de infecção grave, que se dissemina através da corrente sanguínea pelo corpo denominado de septicemia.
- Trombose venosa profunda quadro que se caracteriza pela formação de trombo nas veias das pernas que podem se desprender provocando embolia pulmonar que é a complicação não cirúrgica com maior índice de mortalidade no pós-operatório.
- Atelectasias (colabamento) de áreas do pulmão levando a pneumonias, insuficiência respiratória, infarto agudo do miocárdio, e insuficiência renal também podem ocorrer.
- Complicações que atingem as feridas operatórias como infecções necessitando abertura dos pontos para drenagem de abscessos podem ser necessários.
- Sangramento interno no pós operatório que podem necessitar de reintervenção cirúrgica ou transfusões sanguíneas. Na grande maioria dos casos que presenciamos não foi necessária a reoperação.
- Aparecimento de estenose ( estreitamento ) na boca da anastomose entre o estomago e intestino , é a complicação que irá necessitar dilatação através da endoscopia digestiva.
- Aparecimento de cálculos na vesícula biliar que necessitarão de tratamento cirúrgico para a retirada da vesícula .
- Desnutrição de graus variados podem ocorrer, tornando muito importante o acompanhamento pós operatório .
Estas complicações hoje se tornam cada vez mais raras em virtude do conhecimento adquirido ao longo desses anos, do preparo pré-operatório, de medicamentos utilizados, fisioterapia respiratória e outras medidas adotadas.